Exposição de fotografia Ilustrada

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Mensagem  Belar em Qui Jul 29 2010, 05:15

Exposição de fotografia ilustrada (arte digital) "Humos de Morille".

Integrada na oitava edição da PAN - ENCUENTRO TRANSFRONTENRIZO DE ARTE DE VANGUARDIA

ENCUENTRO Y FESTIVAL DE POESIA Y DE LAS ARTES EN EL MEDIO RURAL

Morille 9, 10 y 11 de Julio

[a convite do Exm.º Ayuntamiento de Morille esta exposição estará patente até 31 de Setembro 2010, na Sala de Plenos (salão nobre)].

"...ensaiando sobre fotografia ilustrada. A utilização, estilizada, da bandeira espanhola (conhecida como la rojigualda) serviu de pano de fundo (céu) enquanto o escudo insinua fumo, pela pretensão que a imagem fosse isso mesmo: uma ilustração sobre fotografia. Do conceito percebe-se a distância significativa entre dois olhares: um que apreende da imagem toda a diversidade de informação que ela contém e outro que vê nela apenas uma ilustração."

"Uma ilustração é uma imagem pictórica, geralmente figurativa (representando algo material), embora algumas raras vezes também abstrata, utilizada para acompanhar, explicar, acrescentar informação, sintetizar ou até simplesmente decorar um texto. Embora o termo seja usado frequentemente para se referir a desenhos, pinturas ou colagens, uma fotografia também é uma ilustração. Além disso, a ilustração é um dos elementos mais importantes do design gráfico."




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CHAMINÉS - CERTEZAS DA EXISTÊNCIA
Fotografias de Belarmino Lopes

As chaminés e toda a sua amplitude metafórica constituem o elemento comum deste conjunto de apreensões - impressões modificadas do fotógrafo Belarmino Lopes, incutindo nas composições um ritmo intrínseco e uma intensa presença ao mesmo tempo repetitiva e única.
As superfícies são autênticas releituras cuja origem primeva se funde no fugaz momento de um itinerário do olhar vincado pela descoberta e posterior captação imagética, aqui conciliados e restaelecidos em novas cromias, planos e horizontes.
Noutro sentido, as captações de Belarmino Lopes assumem-se como um inventário de presenças e de sinalizações da vida e dos ritmos dos quotidianos da comunidade apreendidos através das chaminés.
Na contínua mutabilidade da paisagem do local, Morille terra de futuros interrogados e de ares lavados, a chaminé, matéria de permanência, levanta um constante e distintivo perfil estratigráfico tecido por cheiros, por sons e sobretudo por fumos, criando atmosferas e gradientes luminosos únicos.
Estabelecendo nós e laços ímpares entre o fogo, a casa e o viver, a chaminé remete-nos, quase sempre, para uma dimensão olfactiva e para uma geografia da memória individual fundada na casa. Para o centro do primordial viver, para o ponto focal de onde, afinal, partiram todas as concentricidades espaciais posteriores,para o espaço genético de todos os esteios da convivência humana, para a domus aquele elemento activo da consciência do ser, um “espaço feliz”, como declarava Gaston Bachelard, espaço de segredos, de estremecimentos e de memórias que conduzem à imagem do “cronotopo idílico” doméstico de Mijail Bajtin. O fogo foi e é o centro desse viver, gerador de uma ordem social primordial, ainda que na voragem dos dias nossos, como escreve o arquitecto Parra Bañón, «O fogo já está proibido, e o fumo, por excessivo, condenado», as chaminés já não são o canal que anuncia a presença «Já não servem para anunciar que a casa está habitada, para, se está aceso, mostrar que há alguém lá dentro. O fogo já não é uma linguagem, apenas uma fonte de energia arqueológica».
São estes alguns dos sentidos que emanam das composições pictórico-fotográficas de Belarmino Lopes, ingénuos ensaios que buscam captar harmonias à beira de linhas de friezas quentes, recusando estridências e a indicação de ordem em aparentes silêncios.
As obras reforçam e revelam a estrutura geométrica do visível e das suas regras que interiormente suportam a compreensão ordenada dos espaços organizados e ordenados, reforçados pela clareza das técnicas de impressão, colorindo inesperadas perspectivas. Descobrem-se diferenças entre leituras semelhantes.
São posições conjuntamente construídas, perceptíveis não em sucessão ou alternativa mas num tempo harmónico perceptível num olhar, ou convidando à disponibilidade do percurso infindo por linhas, pontos de fuga, planos coloridos horizontes azuis, ocres, campos e relevos de palha rasa, telhados e superfícies de ladrilhos alvos e rubros. Elementos unidos em veredas geométricas e de complexas linhas em jogos de claro-escuro num ritmo construtivo de memorizações visuais.
Estas textualidades de luz não procurarão a melancolia embora não seja estranha a presença de alguma solidão nas sombras e volumes insinuados em intensas luminosidades do lugar.
Belarmino Lopes descobre num elemento arquitectónico que tem por destino o repetir-se, aquilo que o isola e individualiza: a sua a limpidez e seu porte, perscrutando a vida.
A chaminé mensageira entre a terra e o céu, entre os homens e os deuses, emite presença humana, aquece a alma. Substantivo feminino, ela é hoje uma referência simbólica e uma memória arquétipa cuja sombra nos precipita nos versos do esquecido poeta “louco” António Grancho que noutras raias e interioridades fazia ecoar nos campos cálidos a sombra nocturna da chaminé:
“Noite luarenta / Noite a luarar /Noite tão sangrenta /Noite a dar a dar/Na chaminé da planície/a solidão a cismar /na chaminé da planície/noite luarenta a dar a dar/Noite luarenta /noite de mistério /… / O cavalo a luarar /a lua a fazer meiguice /noite luarenta a luarar /noite luarenta a luarice.”

Pedro Salvado - Investigador da Universidade de Salamanca
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